domingo, 23 de janeiro de 2011

Hora de regresar

Sinto que a hora é agora de voltar pra casa, para o Brasil, não necessariamente a São Paulo, mas pode ser também.
Não sinto pronto para tudo, mas o instinto e desejos me guiarão.
Vou sentir faltar daqui de Buenos Aires, mas serão lindas lembranças.
Valerá a pena recomeçar de novo? Sinto que sim. Eu preciso disso. E preciso de uma força.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Desde Ubatuba

Hoje eu estou postando de um outro lugar, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Sim, realmente me faz bem sair da rotina. Acordei cedo, as 06:30 da manhã, aos roncos do Leandro, meu amigo (de verdade) e me deu vontade de escrever.

Estive refletindo bastante sobre o que gosto. Gosto mesmo é de ver tudo novo, sem exageros e nada contra minhas vontades, afim de irrigar o cérebro de sangue.
O fato de andar nas praias de Ubatuba me leva um outro estágio, nada de anormal, mas permite reflitir e me lançar a uma visão macro das coisas. Deveras está me assustando, não com as pessoas, mas comigo mesmo. Pode ser uma espécie de crise existencial, mas nada grave.
Hoje não sinto nada. Estou neutro e zen. Facilita muito não exigir pensar muito, assim não me exijo muito de mim uma felicidade forjada. Sinto estar no caminho certo, mas preciso de focar mais em mim mesmo. Escutar as ondas da minha sintonia, chutar a areia molhada nas ondinhas da borda da praia, rir, dissertar poemas, apagar fotos feias, sentir o vento, molhar os pés com água salgada.

Vou lá tomar um cafézinho reforçado. Novamente. E vou pra praia.

sábado, 11 de dezembro de 2010

A chuva e a calçada

Gostei de escutar a chuva de agora a pouco. Ai... deu pra esquecer um pouco da semana que passou voando.
Parece que cada vez que fico mais velhinho, sinto mais vontade de fazer mais e menos tolerante a bobagens que antes dava tanta bola. O que não deixo de fazer é falar bobagem. Isso ajuda irrigar o cérebro de sangue e faz os músculos do meu rosto mais ativos. Rir faz um bem danado, não é?
Bom, nem sempre tudo é risada, mas tampouco vamos deixar a vida ser um martírio ou culpar a outrem. Humm, mas me parece que esta semana estava diferente.
Teve uma série de protestos entre moradores da Villa Soldati que no fim das contas virou uma batalha campal. O motivo? Era um acerto de contas de vizinhos argentinos e estrangeiros, sendo a maioria bolivianos. Ainda bem que não moro perto daí e tampouco tem tantos brasileiros que vivem por essas bandas. O que me chamou a atenção é veio à tona uma série de discussões mediáticas e sociais a respeito do tema. De certo, eu faço a minha parte na Argentina e não encho o saco de ninguém, a não ser no trabalho.

Faz umas semanas que vejo todo dia um papelzinho colado num tronco frente a um edifício novo que diz assim: "Você cuida da sua casa como a calçada? Cate as necessidades do seu cachorro. Obrigado."

Aqui o porteiro lava a calçada todos os dias com água e sabão e às vezes com creolina. Costumes são costumes.

Já que a chuva já terminou, vou comprar pão e leite no mercadinho dos chineses que por sinal tem por todas as partes. Tchau e até o próximo post!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Volviendo a escribir

Bom, vou ver se volto a postar.
Aqui em Bs As me dá uma vontade de dormir e ficar em casa todo o tempo.
Não gosto de me sentir estrangeiro, tipo um "boludo" (tonto) que não sabe para onde vai. Gosto de ter tudo bem definido, mas vale a pena relaxar e as vezes improvisar. Quando me escapa um portunhol, fico com muita vergonha e me corrijo "al toque" (rapidamente). Se começarem a tirar uma, entro na brincadeira e ponto, sem problema.
Gosto muito daqui, mas ao mesmo tempo tenho vontade de voltar pra casa, pra minha casa, para Sampa e refazer minha vida. Não é algo me remoa por dentro, mas tenho vontade, sim, de voltar, mas voltar melhor e num AP (apartamento) que tenha bons vizinhos e gente de bem.
Por aqui, os portenhos não são de fazer amigos dos vizinhos. São desconfiados da própria sombra, porém são muito "vivos" (espertinhos) e bem sacudidos.
Faz um mês que conheci a uma vizinha de 91 anos que se chama sra. Pepita, mais conhecida como "Pepita, la pistolera". Não sei se estava me intimidando, pero bueno, não posso mudar ninguém.
Então, é isso por hoje. E vou bailar na Festa do abraço.

domingo, 11 de outubro de 2009

Tira ela de mim...

Estas últimas duas semanas foram um tanto pesada para mim. Acordei às 5h30, como velhos tempos em São Paulo, capital. Na verdade, eu não estava mais acostumado a levantar-me neste horário. Pois bem, estava na terceira fase de um curso de capacitação técnica, em General Pacheco, na GBA (Grande Buenos Aires).

Tirando todo o cansado de estudar a parte durante a noite, foi bom pois aprendi novas técnicas e sistemas e revi conhecimentos que já estavam esquecidos e tinham um par de teias de aranha na minha massa encefálica. É certo que me deu mais vontade de especializar-me em alguns temas e aprofundar os conhecimentos em temas que eu gosto de estudar.

O que mais me chamou a atenção esta semana foi o meu humor frente ao das pessoas que me circundam no dia-a-dia. Percebi que o humor está em função direta do ambiente e dos costumes que cada um traz em si.

Ainda não sei precisar o que realmente passou comigo, mas eu senti um vazio muito grande cada vez que chegava em casa. Pode ser pois sempre gostava de chegar na casa dos meus pais, onde eu morava em São Paulo, com algum doce ou salgado, e gostava de vê-los se estavam bem, e também gostava de ser recebido pelos gatinhos na porta da cozinha que vinham em minha direção ou miava quando chegava ao acender a luz.

Aprendi esta semana que viver sozinho não é tão difícil, porém não é tão simples assim, pois a gente vive em função de outrem para tudo funcione bem, como, por exemplo, o porteiro (ou encargado do prédio) que tem limpar e ordenar o prédio, avisar dos problemas da vizinha, do vazamento de água fria do banheiro para o apartamento de baixo, etc.

Falando nisso, minha estava fazendo uns estalos, uns "tak-tak" importantes quando me movo. Regulei de todas as maneiras, mas o jeito é comprar uma cama nova, de preferência uma de casal. /rsrsrs/

As aulas de samba no pé, vão bem, obrigado. Já as de samba de gafieira, ainda é um desafio, algo para desenvolver, pois é uma dança muito fina, elegante. Diana me disse que depois que se aprende o básico, o resto é uma "pavada". Vamos ver, então. Ontem, até arrisquei a dançar zouk, com a Didi. Ai, ai...

Bom, por outro lado, dormi triste pois soube que nem tudo o que desejamos podemos ter tão cedo. Eis meu velho lema de volta a tona: respeito, mas não aceito.

Sigo adiante, um pouco abatido, mas consciente que a vida continua mais uma vez.

Tá a música da semana:

http://www.youtube.com/watch?v=DL_lDgrLRMc

A gente se vê!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

My shoulders

Hoje acordei com muita preguiça. Uma dor nos ombros. Na metafísica isto significa que é muita responsabilidade. Realmente o é.

Tenho estudado bastante, quase não tenho saído. No sábado fui jantar na casa do Leandro e da Suélen, que aliás fez um strogonoff de carne excelente com arroz branquinho... hummmmmm..., depois não tive coragem de encarar a chuva às 3 da manhã e ir para uma balada. Ouvi o conselho dela.

Bom, de qualquer forma, já está na hora de mudar a rotina. Os estudos para o ingresso na universidade pública não está sendo nada fácil, fora a documentação que está enrolada lá no Ministério de Educação Argentino, como sempre.

Quando me sinto meio desanimado, basta que eu caminhe por aí, sem ouvir as choramingadas e comparações de vida no Brasil e na Argentina (pra ser franco, não suporto mais!)... Tomar mate também é bom, dá uma sacudida.

Confesso que é difícil quando se mora sozinho. Ter que fazer tudo sem a ajuda de ninguém é ter que ser dois ou mais, mesmo com um apartamento pequeno, pois tenho que lavar minhas roupas, limpar a casa, fazer comida, ir ao supermercado, organizar as contas, fazer o orçamento do mês, pagar as contas, etc. Tudo isto também demanda tempo e cuidado.

Contestam-me dizendo que não tenho capacidade de relacionar-me. Pode ser, beijar qualquer boca de esgoto realmente não tenho capacidade, até porque uso aparelho nos dentes e não ficaria bem se me contagiasse uma dessas doenças modernas... Bafo de cigarro e de bebida alcóolica estão fora de cogitação... Bom, parece que tenho que me precaver em dobro.

Morar sozinho tem sua graça, mas tem um alto preço. Eu, pelo menos, fiquei muito mais maduro, dizem, mas aquele ar moleque parece que sumiu, porém as aventuras continuam se aperfeiçoando... e melhores.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A viagem

Bom, chegou mais um fim de semana. Passei bem.

Comprei um pilão, uma bombicha e um pacote de erva-mate tipo argentina. Como um bom gatófilo, não me agüento ao comprar algo novo e quero estreá-lo. Tomei esse mate para relaxar um pouco mais.

Esse domingo me desliguei de tudo. Lavei um pouco de roupa, fiz um arroz com chorizo con salsa golf a la francesa e pão e alface temperado para acompanhar.

O Parque Rivadávia estava, como sempre, repleto de gente aproveitando o sol e a grama fresca e terra roxa devido à chuva fina de sexta-feira. Fiquei sentado por lá no sábado e no domingo à tarde. Adoro.

Essa noite eu sonhei com Juliana. Ela estava bem, feliz, inclusive estava muito bonita, estava muito nítido. Eu vi seu cabelo castanhos escuros ondulados, seus olhos castanhos claros, sua pele cor de café clarinho, uma camiseta fininha de cor branca com decotinho com renda fina e a sua minissaia jeans justinha de cor azul claro, do jeito que ela gostava de se vestir. O sorriso dela é indescritível, um milagre, um banho de carinho.

Eu senti que ela estava fazendo que mais gostava de fazer : cuidar de crianças. Me lembro de que a gente estava conversando sobre alguma coisa engraçada até que então eu dei uma baita gargalhada, e logo ela disse uma frase que eu adorava escutar dela: "Que risada mais gostosa você tem...". Meu riso foi diminuindo pouco a pouco até que deu lugar às contidas lágrimas, como agora... Me deu vontade chorar todo o tempo no sonho, persistindo até o amanhecer.

Ela, com seu sorriso sincero e sempre disposta, me conduziu até onde ela mora atualmente, como se eu estivesse sentado no seu Pálio verde que havia comprado a prestações e pago com o suor de seu trabalho de assistente administrativa num banco, andando por ruas não muito estreitas, de asfalto, e as casas eram comuns. Era um lugar simples, aconchegante. Mas eu não pude entrar, não consegui seguir adiante, como se algo me barrasse. Logo depois de uma boa conversa, ela me pediu que eu ficasse por aqui e então, com um ar assim um pouco preocupada e triste, subindo por uma escada tipo concreto rodeado de plantas verdes, de degrau em degrau ela olhava para mim até que não pude mais vê-la.

Procurei-a por todos os lados, um desespero, uma agonia no peito que persistiu até mesmo na hora do almoço. Ao acordar me veio a mente, uma música de Ivan Lins, "Vitoriosa", que é assim:

" Quero sua risada mais gostosa / Esse seu jeito de achar / Que a vida pode ser maravilhosa... "

Caminhando pelas ruas da cidade, eu senti como se alguém muito especial estivesse segurando meu braço e caminhando comigo. Me confortou, mas não aliviou a saudade no peito. Não dei lugar a imaginação, apenas senti e deixei fluir aqueles momentos, até que eu reconheci aquele jeito que eu só conheço de Juliana. Tem uma música da banda Catedral chamada "A Tempestade e o Sol" que me veio a quase todo momento no dia de hoje:


" Tenho certeza que vou te encontrar /Não sei o dia e a hora /Mas sei o lugar /Sei que você está bem / Mesmo assim / Isso não me impede de chorar "

http://www.youtube.com/watch?v=HZCefprUdhM

Fortes emoções neste domingo, heim! Bom, é isso.

(Que você continue sempre linda como eu te vi, Ju, e que nos vemos mui breve! Só não esqueça de me convidar para tomar um cafézinho pelo menos, um bem forte, de preferência. Um beijo, Rafinha.)